Conheça o processo de trabalho de um designer de conteúdo

Sempre trabalhei com conteúdo. Criar empatia, ouvir as pessoas, organizar as informações e contar histórias eram atividades recorrentes no meu dia a dia.  Fui repórter, redatora, editora, produtora. E agora sou designer de conteúdo.

O designer de conteúdo é como um roteirista. Por meio das palavras, leva o usuário a navegar pelo produto ou site. Agarra a atenção das pessoas, gera interesse pelo assunto, cria o desejo até provocar uma ação — seja clicar no botão ou finalizar uma tarefa.

A Redação de jornal e TV não é mais minha casa. Mas eu trouxe comigo de lá as mesmas atividades que sempre amei fazer: criar empatia, ouvir as pessoas, organizar informações e contar histórias. Isso mesmo. Apesar da mudança de carreira, o que faço se aplica da mesma forma agora, como designer de conteúdo.

 

O que faz o designer de conteúdo

Sou responsável pelas palavras em uma equipe com outros três designers, que cuidam da experiência visual, dois PMs, e uma pesquisadora, que cuida das entrevistas com usuários. #teamXD

Tudo começa com a definição do problema que queremos resolver. Às vezes, temos uma “pista” sobre qual é o problema. Um usuário pode ter entrado em contato com o suporte ou pode ter mencionado a questão em uma conversa. Ou ainda nós mesmos podemos identificar o ponto de melhoria. Nessa fase, o mais legal é mesmo brincar de detetive.

Problema definido, partimos para as entrevistas com clientes. Esse é o momento de criar empatia e de exercer o ditado popular por completo: “sou todo ouvidos”. Eu costumo anotar tudo que o cliente fala. Busco por padrões entre um cliente e outro, relaciono as palavras mais usadas para descrever a experiência de uso.

Essa conversa me prepara para o momento crucial de “sentar e escrever”, pois, em geral, chego lá já sabendo que palavras escolher. Só de ouvir o usuário.

Volto para minha mesa com a história na cabeça. E criei essas três regras para me guiar no processo de design de conteúdo:

 

  1. Conversacional

Somos seres sociais. Gostamos de gente, de conversa. Então por que o texto nos produtos precisa ser tão transacional, hein? Bote seu produto para conversar com o usuário.

 

  1. Fácil de entender

Leia em voz alta. Como você explicaria para um amigo? Como esse texto faz você se sentir? Leve tudo isso em consideração.

 

  1. Antecipe as ações

O usuário sabe sempre de onde veio, onde está e para onde vai. Não deixe as pessoas no escuro! Ajude o usuário a cumprir sua missão no produto.

 

Como encarar a tela em branco

E aí chega aquele momento. Todo mundo que já se aventurou a escrever precisa encarar uma tela em branco. Eu já encarei muitas, e você?

Posso escrever uma espécie de roteiro para o fluxo que estamos trabalhando. Posso mapear os passos do usuário em post-its. Ou posso me sentar ao lado do designer e criamos o fluxo juntos. Todos esses métodos funcionam bem para mim.

Volto às minhas notas das entrevistas. E para não me sentir intimidada pela tal da tela em branco, sempre começo com a pergunta:

Como o usuário está se sentindo? Como eu quero que ele se sinta? O que eu quero que ele faça?

Esse exercício me ajuda a encontrar a melhor forma de escrever o que preciso para ajudar o cliente a executar uma tarefa. E a usar sempre as palavras certas para cada ocasião.

 

Processo circular

Depois disso temos um primeiro desenho em mãos. Eu gosto de voltar a esse protótipo algumas vezes. Faço o checklist mental se atendi às regrinhas de conversacional, fácil de entender e se estou ajudando o usuário a saber que ações tomar.

Mostramos aos clientes, colhemos feedback. Começa a iteração. Iterar é repetir, fazer de novo. Ou seja, é um processo circular.

Essa é a forma como eu costumo trabalhar.

UX, Design thinking, Design de serviços, Behavioral Economics, Pesquisa, Linguística, Escrita e Estratégia de Conteúdo.

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